quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Augusto Muro - poeminha à moda do sumido Vendell

Poeminha encomendado ao Vilson para homenagear (mimetizando) e quem sabe fazer aparecer o sumido Vendell.

AUGUSTO MURO

Esmurro o muro
Até criar um furo
um pequeno vão já
me deixa mais seguro

Não esmoreço, trasmudo
o urro em garra,
esmurro a faca
até a ponta entortar

Quero abolir fronteiras
construir pontes
derrubar o augúrio do muro
te abraçar e respirar.

Muros dividem, sufocam
a coletiva proteção do convívio, é
cada um por si,
nenhum por todos.

Assisto ao Floyd em "The Wall"
Paro, penso, reflito,
Derrubar muros é preciso.
É o que sinto.

*Fotos da instalação de Marcel Duchamp, chamada "Dados: 1.ºA Queda De Água, 2.ºGás de Iluminação - 1946-66", primeiro é a vista frontal da instalação e por último a vista através da porta da instalação.

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domingo, 13 de setembro de 2009

Estou sumido, eu sei.
Estou vivo? Não sei.
Estou em férias!!! Isso eu sei!!!
Mais uma breja? Não sei...
Está gelada. Agora eu sei!!!

Desculpem o meu sumiço, porém estou curtindo as minas férias de tudo, e para lembrar que ainda estou aqui, segue algo que achei:

POEMA NACIONAL

Poderia dizer
que o poema tem pressa
e acalenta em mim
essa inquietude,
fervendo minhas tripas.

Poderia dizer
que o poema tem fome,
espetada nos olhos da balconista.

Mas o poema é pouco,
para alcançar os homens
adormecidos em seus sonhos de medo;
o poema é pouco,
contra os militares e suas armas mortais,
contra a igreja e seu deus profano,
contra os sórdidos capitalistas
e latifundiários desse meu país.

O poema é muito pouco,
mastigando essa esperança brasileira.
Jorge Lopes

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Correndo atrás das folhas, entre folhas, viajando pelos sites, blogs, ogs, e etc, me deparei com um entitulado GERAÇÃO Y / GERACIÓN Y, e como logo abaixo falou-se na paçoka dicotômica, segue um texto da senhora Yoani Sanches, cubana, cujo texto segue abaixo:

UM SUMIDO MONOSSILÁBICO


Um poema - no anos noventa - ironizava a desaparição de varios produtos agrícolas das mesas cubanas*. Seu autor nunca assinou os agradaveis versos, porem o estilo mordaz indicava diretamente um conhecido escritor. Eram os anos em que o CAME foi pra merda junto com o campo socialista e nossos umbigos se aproximavam - dolorosamente - da espinha. Os alimentos pareciam haver partido para o exilio, deixando-nos uma pungente recordação de seu agrado.

A mandioquinha, a banana e a mandioca regressaram mais tarde, quando a explosão social de 1994 obrigou o governo a abrir os satanizados mercados livres. Encontravamos sobre suas prateleiras as variedades de tubérculos que haviam acompanhado assiduamente os pratos de nossos avós, porém a um preço que não correspondia aos simbólicos salários que recebiamos. Ainda assim, ali estavam. Expremendo-se um pouco os bolsos podia-se fazer um suave puré de batata doce, para iniciar um bebê nas lutas da comida.

Enquanto esses produtos nacionais regressavam, chegaram alguns estrangeiros suplantando os crioulos. Os hotéis começaram a comprar laranjas e mangas da República Dominicana, flores de Cancún e abacaxi de outras ilhas do Caribe. Nas cozinhas tornou-se comum um extrato importado de limão para suprir o sumido cítrico tão usado em molhos e marinados. O açúcar se trouxe do Brasil e um pacote de cenouras congeladas era mais fácil de se achar do que as tipo delgadas que cresciam debaixo de nossa terra. Somente a goiaba não encontrou competição nas errôneas importações e ergueu-se - dignamente -em substituição a todas as outras frutas perdidas.

O cúmulo chegou-me há um par de semanas, quando ao receber a quota de sal que dá o racionamento, comprovei que vem do Chile. Não consigo conciliar nossos 5.746 kilometros de costas com este pacote branco e azul transportado desde o sul. Se nosso mar continua igualmente salgado, o que foi que ocorreu para que seus minúsculos cristais já não cheguem ao meu saleiro. Não foi a natureza - não joguemos outra vez a culpa à ela - senão este sistema econômico disfuncional, esta apatia produtiva e a tremenda subestimação de tudo o que é nacional que nos cerca. Tampouco foi o bloqueio.

Agora, haveria que se refazer o sarcástico poema dos produtos extintos e agregar-lhe um breve e sumido monossílabo: sal.

* A mandioca, que vinha da Lituania
a manga, doce fruto da Cracóvia
o inhame, que é oriundo de Varsóvia
e o café que se semeia na Alemanha.
A mandioquinha amarela da Romania
a batata doce moldava e sua doçura
da Liberia a sapota com sua textura
e a verde banana que cultiva a Ucrania.
Tudo isso falta e não por culpa nossa
para cumprir o plano alimentário
se luta uma batalha bruta, intensa.
E já temos a primeira mostra
de que se faz o esforço necessário:
há comida na TV e na imprensa.

Nota do tradutor
CAME: Conselho para Assistência Econômica Mútua - fundado por Stalin em 1949, formado pela União Soviética e cinco países do Leste europeu, foi expandido para dez países membros, incluindo Cuba em 1972.




Nada haver ou tudo haver com a paçoka, ou há de ver, ou a ver, ou simplesmente ver mas... acho que preciso parar de comer chocolate... ou melhor brigadeiro... não é mesmo sr. Nosliw?

Gostei do chocolate e paçoka sra. Clown Doll, me lembrou velhos tempos, hehehehe
Sr. Dicotômico, não sei que lhe falou que eu sou assim, e nunca falei?: "Abel eu quero mel!" , talvez uma breja bem gelada... talvez...
Enfim: VOLTEI!!!

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sexta-feira, 26 de junho de 2009


Ainda respirando

Estou absorto, mergulhado no ovo.
OVO NO MEIO DO OVO.
V?

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domingo, 7 de junho de 2009

A MARCHA DA CONSPIRAÇÃO

Conspiração deformando a oração
impedindo qualquer ação
iniciando a revolução.

A marcha para a liberdade
para todos em qualquer idade
com o povo e sua idoneidade.

Conspiração
Marchando com o coração
Todos com a sua oração
Morte ao velhor dragão

GRITOS! EXPRESSÃO!
MARCHA DA CONSPIRAÇÃO!!!

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

O REFÚGIO

Há uma porta no meio do chão
Onde todos os pensamentos escorrem.
formando um riacho, colorindo o tapete das lamentações.

Há uma janela no meio do teto
Onde as palavras saem sem destino,
é uma rebelião sem destino.

Há um sofá no meio da sala,
Onde o corpo descansa,
como se fosse uma estátua inerte, decorativa.

Não há paredes entre os cômodos,
é onde as vozes ecoam
a revolta dos fantasmas.

Não há moradores na casa,
é um refúgio para quem quiser desfrutá-la
uma fortaleza dos pensamentos insanos ou santos.

Há um compromisso com a liberdade
Não há regras ou obrigatoriedade.
Há um conectivo com a desconectividade.
Não há endereço, fica muito além da realidade.

Acenda um cigarro e curta essa novidade.
Respire a fumaça e expire sensibilidade.
Esqueça os conceitos e toda forma de repúdio.
Sinta-se em casa, bem vindo ao refúgio.

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vestimenta

Hoje, em uma manhã bem inspirada, deixei de lado os meus afazeres trabalhistas e dediquei um momento para uma criação. Segue o texto:

Vestimenta

Sapato sujo não limpa o chão.
Sapato sujo não ganha o pão.
Sapato sujo é do ladrão.
Sapato sujo também é do chefão.

Camisa rasgada não veste ninguém.
Camisa rasgada não vale um vintém.
Camisa rasgada só pobre a tem.
Camisa rasgada o trabalho não vem.

Calça furada provoca exclusão.
Calça furada não causa tesão.
Calça furada, a moda do mundo cão.
Calça furada, dor e solidão.

A vestimenta que alimenta.
A vestimenta que ao pobre atormenta.
A vestimenta que o rico ostenta.
A vestimenta é a ferramenta.

Vestir-se para a vivência.
Vestir-se pura conveniência.
Vestir-se por obediência.
Vestir-se para a sobrevivência.

Despir-se é uma indecência.
Despir-se para perder a inocência.
Despir-se por pura decadência.
Despir-se também para a sua existência.

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terça-feira, 5 de maio de 2009

Pensando no texto abaixo postado pelo sr. Nosliw, fiquei horas parado, estático, totalmente absorto na escuridão dos meus pensamentos, sendo iluminado somente pela luz que pairava sobre a minha cabeça, e também pela janela que me mostrava o quão poluído a rua estava. Enfim, mergulhado entre balancetes, excrementes e etc, minha mente deu um boot poético, e o pior, nesse dia não havia um scandisk que pudesse me salvar, que pudesse corrigir estes setores que faço pouco uso ultimamente. Escravo do sistema? Pode ser... É preciso sobreviver? Viver? Ou é preciso saber viver? Pelo menos agora uma leve onda inundou uma ilha de pensamentos numéricos que estava me deixando completamente robótico. Será que todos estão robóticos? Os robóticos serão os estereótipos dos trabalhadores do amanhã? Foi ontem?Enfim, foi preciso eu me reiniciar para tentar recuperar as palavras que me faltavam. Neste dia saí do serviço para tomar uma breja bem gelada e me deparei com um senhor que humildemente vendia o seu livro. Um pequeno grande livro. Dizia ele que abandonara tudo por conta dos seus escritos, e, seguindo o seu discurso, agora ele estava vivendo. Ao final me pediu um copo de cerveja e saiu. Vivendo? Satisfeito com sua criação, orgulhoso da sua obra, mas no final tendo que pedir por uma simples cerveja? Viver? Acho que preciso reiniciar novamente, este mundo está me deixando confuso...Lembro-me de um episódio de "Além da imaginação", no qual um homem teve que aprender novamente a ler, escrever, e o pior, aprender o significado das palavras, pois nada mais lhe fazia sentido. Estaria eu prestes a ser um personagem deste episódio? Ou será um mero momento de revolta? Bem, devo reiniciar para buscar algo novo, então voltarei a postar. Aproveito para deixar um pequeno texto que fala sobre a geração mimeógrafo. Há alguma relação com o que foi dito?

Já que estava à-toa resolvi fazer um poema
agora faço pra ficar à-toa.
Cacaso. Um homem sem profissão





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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Tarcila, Wilson:

Vamos DICOPAÇOCOMITAR!!!

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quarta-feira, 25 de março de 2009

Achei esse texto para apreciação e dizer: EU ESTOU VIVO!!!



Ato de expiação!
Palavras errantes!
Em velocidade cruzeiro
Dar-se-á o poeta como revolta do adeus

- Ato contínuo
Eu seguirei seus passos!

(Resíduos de mim!)

Múltiplos
Orgasmos das orquídeas selvagens.
Sob o coito da palavra,
Vozes d’alma
Em oração
À rampa da garagem.

Deus! Deus!
Isto é álibi de um sonho crucificado,
Ou são lágrimas talhadas,
Que, pêcas, gozarão em mim
Onde (primeiro) se avistar o sol?

Deus!! Deus!
Isto é dança das cabeças,
Ou são palavras navalhadas,
Que, secas, enamorarão de mim
Onde (primeiro) se avistar
As parábolas do vôo do inseto?

- Filamentos de um poema
Em pedaços...

(Marcha lenta do atrás!)

Ai... O que se dizer
Do ovário das flores?

Benny Franklin

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Amor e vinho - Fagundes Varela

Em um breve momento de lembrança da época boêmia, nada melhor do que citar um poeta romântico e boêmio inveterado Fagundes Varela:

Amor e vinho

Cantemos o amor e o vinho,
As mulheres, o prazer;
A vida é sonho ligeiro
Gozemos até morrer
Tim, tim, tim
Gozemos até morrer

A ventura nessa vida
É sonho que pouco dura
Tudo fenece no mundo,
Na louça da sepultura
Tim, tim, tim
Na louça da sepultura

Não sou desses gênios duros,
Inimigos do prazer,
Que julgam que a humanidade
Só nasceu para morrer
Tim, tim, tim
Só nasceu para morrer

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domingo, 30 de novembro de 2008

A PALAVRA

Lendo alguns textos a procura de algo que me inspirasse nesta noite de domingo, me deparo com este texto de Sylvia Plath. A luta relatada abaixo expressa muito bem este momento de briga entre o viver e o escrever. Há momentos em que os sentimentos nos aprisionam, sufocam, nos deixando totalmente amordaçados, sem poder dizer nenhuma palavra que faça sentido... Bem, vamos ao texto:

A PALAVRA

Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rochaQue cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
EncontroEssas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Áspide

Atendendo ao pedido do Sr. Wilson, segue a primeira postagem de um texto de minha autoria.


Áspide malévola que me cerca,
A que devo tal visita áspera?
Com qual pretexto aparece neste texto?
Áspide lumbricóide que corrói estas entranhas,
Saia do caminho desta obra em verso, volte ao reverso do processo,
Rasteje sobre a escuridão que se distancia, sorria para o novo que se inicia.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Do Mestre Augusto dos Anjos

Como participação inicial minha, não poderia deixar aqui um poema que não fosse do mestre Augusto dos Anjos.

Nestes contrastes vividos, sempre sofridos, contudo sentidos, há uma dicotomia variante do ser vivente, operante, errante.

E vamos seguindo...


Contrastes

A antítese do novo e do obsoleto,
O Amor e a Paz, o Ódio e a Carnificina,
O que o homem ama e o que o homem abomina.
Tudo convém para o homem ser completo!

O ângulo obtuso, pois, e o ângulo reto,
Uma feição humana e outra divina
São como a eximenina e a endimenina
Que servem ambas para o mesmo feto!

Eu sei tudo isto mais do que o Eclesiastes!
Por justaposição destes contrastes,
Junta-se um hemisfério a outro hemisfério,

Às alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!.

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