quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Do Mestre Augusto dos Anjos

Como participação inicial minha, não poderia deixar aqui um poema que não fosse do mestre Augusto dos Anjos.

Nestes contrastes vividos, sempre sofridos, contudo sentidos, há uma dicotomia variante do ser vivente, operante, errante.

E vamos seguindo...


Contrastes

A antítese do novo e do obsoleto,
O Amor e a Paz, o Ódio e a Carnificina,
O que o homem ama e o que o homem abomina.
Tudo convém para o homem ser completo!

O ângulo obtuso, pois, e o ângulo reto,
Uma feição humana e outra divina
São como a eximenina e a endimenina
Que servem ambas para o mesmo feto!

Eu sei tudo isto mais do que o Eclesiastes!
Por justaposição destes contrastes,
Junta-se um hemisfério a outro hemisfério,

Às alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!.

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1 Comentários:

Blogger wilson disse...

Grande Vendell!!!
Vamo, que vamo, que o texto não pode parar!

14 de novembro de 2008 07:02  

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