sexta-feira, 16 de outubro de 2009


.Mario Quintana:
"A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos".
falecido em 1994...


.Rodrigo Cardoso:
"A morte e quando agente foi pro saco,bateu as botas,vestimos o paletó de madeira,ou seja fomos pro saco"
Ainda vivo [/saco!]... 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

video
Tiê... A bailarina e o Astronauta.
pra Quem não conhece, vale apena conhecer! =D

domingo, 27 de setembro de 2009



OS DEGRAUS

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mario Quintana

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Espagíria

Espagíria
potes de ouro no fim sobrepujam os montros
que, escondidos em mônadas e medos, tentam
escurecer o arcoíris que une nossos corações.
*A 1ªfoto é da srta Tarcila Clown Doll, tirada em 12/09/2009, na Praça da Estação em BH e a 2ª é do senhor Haruo Ohara, tirada em 1950, em Londrina.

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domingo, 13 de setembro de 2009

Estou sumido, eu sei.
Estou vivo? Não sei.
Estou em férias!!! Isso eu sei!!!
Mais uma breja? Não sei...
Está gelada. Agora eu sei!!!

Desculpem o meu sumiço, porém estou curtindo as minas férias de tudo, e para lembrar que ainda estou aqui, segue algo que achei:

POEMA NACIONAL

Poderia dizer
que o poema tem pressa
e acalenta em mim
essa inquietude,
fervendo minhas tripas.

Poderia dizer
que o poema tem fome,
espetada nos olhos da balconista.

Mas o poema é pouco,
para alcançar os homens
adormecidos em seus sonhos de medo;
o poema é pouco,
contra os militares e suas armas mortais,
contra a igreja e seu deus profano,
contra os sórdidos capitalistas
e latifundiários desse meu país.

O poema é muito pouco,
mastigando essa esperança brasileira.
Jorge Lopes

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sábado, 5 de setembro de 2009

Um ano depois

Queria escrever algo especial para meu querido amigo Fausto, mas tô à beira das lágrimas em uma lan-house. Um ano após ele ter partido para outra dimensão (já deve ter fumado um charuto com Cortázar, jogado cartas com Marx, analisado os sonhos de Freud e bebido um bom uísque com os amigos que por lá encontrou), a vida continua, o mundo continua girando e a falta de seus textos diários no Jornal do Brasil nos deixa um pouco mais burros e desamparados para entender a loucura cotidiana. Mas sua obra permanece e dela continuo tirando forças e sabedoria para continuar. Quem quiser ler homenagens e memórias sobre o grande Fausto dê uma olhada no O LOBO.

A seguir textos publicados no JB de hoje:

Um ano depois, alguns anos antes

Acaminho do Bip Bip, mistura de boteco e útero de pai (sim, a voz carinhosa do boteco tem imensas barbas brancas e chama-se Alfredinho), confiro as manchetes de primeira página na banca de jornais quase esquina com Nossa Senhora de Copacabana e penso: o que será que o Fausto Wolff pensaria, diria e escrevia em sua coluna diária no Caderno B deste Jornal do Brasil?
Penso no Fausto porque faz um ano que o mais ferrenho texto da imprensa brasileira cantou para subir (os pássaros sobem cantando, e em seu penúltimo livro, O ogro e o passarinho, ele poemou sobre as paixões mais difíceis). Porque o Bip Bip é o bar onde algumas vezes bebemos, numas nos entendemos e noutras nos desentendemos, ferrenhamente.
As manchetes – que só serviriam para futucar ainda mais a indignação gaúcha e quase de berço do Faustino – versam (no mau sentido!) sobre maracutaias palacianas, compadrios de Senado, concertos desafinados de Câmara, injustiças do Judiciário e a pasmaceira que transforma imbecis de latas em ídolos de barro. Aí penso também no Aldir, amigo querido do velho lobo de todas as horas, sobretudo das últimas, e cantarolo, com os meus botões: “Todo mundo afana, da gangue do Escadinha ao seu Bacana/ Mas a Falange Vermelha, ao menos governa em cana”.
Penso no Fausto Wolff porque do dia em que ele pôs o ponto final em seu último artigo, aos dias de hoje, nada mudou; e o que mudou foi para pior. Penso no Fausto porque, depois de ver o Sarney na TV, choramingando o afeto de avô com a caneta alheia, fico esperando as reações mais violentas das penas dos coleguinhas e não sinto a fúria. Aí, sinto pena. Aí, penso novamente no Fausto e nesses 365 dias sem a sua verve vermelha de ódio.
E também penso no Fausto de antes, de muito antes. Do Pasquim, da Bundas e do Pasquim 21. Nas duas últimas publicações, estivemos juntos.
No Jornal do Brasil também (eu editava o Caderno B quando o indomável Wolffenbufftel começou a publicar em suas páginas).
Mais se desentendendo do que se entendendo, mas jamais deixando faltar o respeito nem a admiração.
Já perdemos o Fausto; cuidemos para não perder a ternura, nem a vergonha.
*Texto de Luís Pimentel, jornalista e escritor, no JB de 05/09/2009.
Carta para mein lieb, lá no além
Fausto, mein lieb wolffenbitle, parece que não mas já faz um ano que nos deixaste para observar tudo aí de cima, sem a urgência dos fechamentos e deadlines...
Que ironia, pois foi noutro dia que voce me cobrou pelo desenho que não eternizei na parede da sua casa, aquela parede branca que nos contemplava como um templo impróprio do nosso tempo que passava...
Meu consolo (epa!) é que daí você pode ver tudo melhor, sem pressa de julgar, já sabendo a priori dos desenvolvimentos absolutamente previsíveis de tudo o que estava por vir; o pit-bull de batom sendo sodomizado pelo vira-latas do Obama, o Zé Ribamar do Sir Ney singrando rio acima até o coração do Luiz Inácio, a Carla Bruni, la femme de la patrie do Sarkozy, essas coisas todas. Ignóbeis, como estes dias que correm.
Mas é bom que você saiba, ainda hoje procuro você no jornal. Eu e mais um séquito de adoradores que, assim como eu, sabem que, por mais distante que estejas da estante, reinas soberano sobre nós e por sobre todos os desvalidos que, como você, foram chamados pra cima mais cedo.
Pela inconsequência de nossos atos e de alguns bem mais poderosos do que nosotros, incluindo Hugo Chaves y sus Correas sin Morales.
A Mônica, querida, está se refazendo, meu irmão virando rei da noite com o Cabaré Caruso e eu sigo o baile.
O Jaguar vez em quando chama um Underberg pra celebrar e o Ziraldo lança mais um livro, um filme ou o que quer que seja, enquanto espera a hora pra te encontrar e fazer as pazes.
Como diria o triste bluesman Cassiano, naquela balada triste, “...mais um ano se passou, e nem sequer ouvi falar seu nome...” Um beijo nessa vasta bochecha.
*Texto do cartunista Paulo Caruso, no JB de 05/09/2009.
-Vejam o Desenho do adeus, feito ano passado, também por Paulo Caruso.


Saudade Faustão, tá fazendo muita falta aqui...

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Canção às primas da AP

Singela tentativa de homenagem à família da mana AP... e Dulcinéia, querida, nada de ciúmes, por favor...

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu viajo pra Paris* um tempo e quando volto o que encontro é só papo maluco, com esse subversivo desse Raulzito por aqui. Essas fotos de cabeças abertas ruminando flores... Blogs de cubanas insatisfeitas... Aliás, esse papo parece que espantou até o Vendell, que aliás é bem doido também... e o que estão falando do íntegro e grande coronel, digo, político honesto, do Zé Sarnento? Hein?! Sou noivo da prima da tia do namorado da neta dele e ele me prometeu uma vaguinha num escritório federal no seu próximo reinado, digo, mandato.
Juízo, hein, cambada, vou precisar fazer mais umas viagens, mas volto logo e não quero tanto baderna maluca por aqui, afinal isso é um blog de respeito, dicotômico, tá certo, mas de respeito.
Notícia triste: um dos espaços culturais mais interessantes de BH, o Instituto Moreira Salles, encerrará atividades no fim de agosto... funcionários serão despedidos e não há previsão do que pode vir a funcionar no local... quem puder fazer uma última visita, aproveite...
*Pariscida do Norte é uma rota frequente minha, quem quiser ir na excursão dicotômica um dia, é só me mandar uma mensagem no celular, que mando os dados para depositarem o dinheiro na minha conta, que depois os busco em casa e nós vamos rezar.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Mais Raul...

Pra cantarmos todos juntos...

OURO DE TOLO

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar um corcel 73...

Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema depois de ter passado fome
Por dois anos , aqui, na cidade maravilhosa...

Ah!Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente por ter conseguido
Tudo o que eu quis, mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto, e daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido
O domingo pra ir com a família no jardim zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah, mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogan
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua cabeça animal...

E você ainda acredita que é um doutor
Padre ou policial que está
Ccontribuindo com sua parte
Para o nosso belo quadro social...

Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Acenta a sombra sonora de um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Acenta a sombra sonora de um disco voador...

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Eu Também Quero Reclamar

Mas é que
Se agora pra fazer sucesso
Pra vender disco de protesto
Todo mundo tem que reclamar
Eu vou tirar meu pé da estrada
E entrar também nessa jogada
E vamos ver quem é que vai güentar
Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam eu vou voltar

Tô trancado aqui no quarto
De pijama
Porque tem visita estranha na sala
Aí eu pego e passo a vista no jornal
Um piloto rouba um Mig
Gelo em Marte diz a Viking
Mas no entanto não há galinha em meu quintal
Compro móveis estofados
Me aposento com saúde
Pela assistência social

Dois problemas se misturam
A verdade do universo
E a prestação que vai vencer
Entro com a garrafa de bebida enrustida
Porque minha mulher não pode ver
Ligo o rádio e ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo que eu quero descer

Olho os livros na estante
Que nada dizem de importante
Servem só prá quem não sabe ler
E a empregada me bate à porta
Me explicando que tá todo torta
E que já não sabe o que vai dar pra mim comer

Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada pra escolher
Apesar dessa voz chata e renitente
Eu não tô aqui pra me queixar
E nem sou apenas o cantor
Eu já passei por Elvis Presley
Imitei Mr. Bob Dilan
E eu já cansei de ver o sol se pôr
Agora eu sou apenas um latino-americano
Que não tem cheiro nem sabor
E as perguntas continuam sempre as mesmas
Quem eu sou, de onde venho, onde vou dar
E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como o avião pode voar
Ao meu lado o dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar

Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz latino-americano
Que também sabe se lamentar
E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo que eu quero chegar
E fim de papo

Toca Raul!!!!

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