terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Muros... Vidas que Ninguém Vê

Mais muros... mais um texto da bela escritora Eliane Brum e mais um do livro "A Vida Que Ninguém Vê".
Sinal Fechado Para Camila
—Tio lindo, tia linda do meu coração. Eu pergunto a você se não tem um trocadinho ou uma fichinha pra essa pobre garotinha...
Quase com certeza você ouviu esse hino em algum cruzamento de Porto Alegre. Debaixo de um sinal vermelho, o som entrando pelo vidro fechado, ameaçador como um Alien. O som entrando pela janela que você cerrou para se defender do ataque à sua consciência. Você rezando para que o sinal mude de cor, fique verde, não de esperança, mas verde de fuga. Sinal livre para escapar do rosto da menina grudado na janela. Sujando seu patrimônio. Obrigando-o a tomar conhecimento da miséria dela. Você, que paga seus impostos em dia, colabora com a campanha do agasalho, que até é um cara bacana. Subitamente transformado em réu no tribunal do sinal fechado por um rosto ranhento de criança.
Você, quase com certeza, ouviu esse hino. Pois saiba. A menina que o compôs morreu no domingo. Nunca mais ela assombrará a sua janela. A menina se chamava Camila. Camila Velásquez Xavier. Tinha dez anos. Mas os dez anos dela equivalem a cem dos seus. Camila viveu muito, até. No bairro onde ela nasceu, o Bom Jesus, 17 como ela morreram antes de completar um ano em 1997. Camila nasceu na Fátima, uma vila da Grande Bom Jesus. Vila, modo de dizer. Becos e mais becos de barracos amontoados sobre o cimento. Lá, o controle da população é feito ao natural. Só em janeiro, já tombaram quatro. Assassinatos citados em notinhas de canto de página.
Camila nasceu na Fátima, num barraco de uma peça. Quando chovia, havia tanta água fora quanto dentro. Em dez anos a família progrediu. Conseguiu um barraco de duas peças. Camila dormia com os quatro irmãos num sofá esburacado ou no chão de tábuas podres porque não havia lugar para todos. Pai e mãe desempregados, o pai um homem triste, de olhos injetados, que descia o braço sobre a mãe sempre que bebia além da conta.
Aos seis anos Camila foi enviada aos sinais para ganhar a vida da família. Logo descobriu que a concorrência era enorme. Que as janelas dos carros eram a versão moderna das muralhas medievais. Camila começou a embelezar sua tragédia. Inventou versinhos que venciam fossos e arriavam pontes levadiças, arrancando um sorriso perplexo dos motoristas. Eu não posso ficar sem você, meu trocadinho. Essa tia, esse tio queridinho vai me dar um trocadinho. Camila conquistou a sua diferença nos cruzamentos da cidade. Seus hinos se espalharam pelas sinaleiras e, mesmo depois de sua morte, seguem ecoando pela boca de outras Camilas.
Aos seis anos, flagrada na rua, Camila entrou pela primeira vez no prédio sem cor da Febem. Entraria ainda outras duas vezes. Na sexta-feira, 15 de janeiro, ela e outras cinco meninas jogaram suas trouxinhas pela janela do prédio. Um ursinho Puff de segunda mão e algumas camisetas compunham o espólio coletivo. Quando a porta se abriu para brincarem na pracinha – uma ficção de armações de ferro que há muito perdeu os balanços e as gangorras, uma ficção como a infância de todas elas – iniciaram sua jornada rumo à liberdade. Que passou na forma de um ônibus lotado para o centro de Porto Alegre.
No dia seguinte, a direção da casa informou ao plantão do Conselho Tutelar. Que anotou. Estava cumprido o trâmite burocrático. Por todo o final de semana, Camila e suas cúmplices de desamparo vagaram pelas pontes da cidade sem que ninguém as buscasse. Crianças sob a tutela do Estado vagando ao léu sem que ninguém chorasse a sua falta. Fazia calor no domingo, todo mundo lembra. Um calor tão pesado que quase se podia tocá-lo. Às 14h, de calcinha e camiseta, Camila e duas das fugitivas mergulharam no Guaíba na altura do parque Marinha do Brasil. Camila não sabia nadar. Debatendo-se como fez durante toda a vida, Camila, a senhora dos cruzamentos, submergiu.
Às 8h de segunda-feira, a notícia da fuga e da morte de Camila despertou a família. Vai ter que esperar porque ainda não abrimos a menina, informou o funcionário do Departamento Médico Legal à mãe quando ela foi recolher o corpo da filha. Camila foi enterrada na manhã de terça-feira, no caixão branco dos inocentes. A Febem pagou o enterro, pagou até uma capela funerária com ar-condicionado. Que lugar mais lindo, repetiam os familiares, assombrados com o espaço tão grande e tão verde da morte. Acompanhada por um séqüito de parentes de rostos derrotados, Camila foi enterrada no Jardim da Paz. No cortejo, um único terno. Puído e manchado, envergado por um homem em quem o sofrimento abriu sulcos no rosto. Um homem tentando agarrar a dignidade que escapava como o cós da calça maior que ele. No cortejo, nenhuma flor para Camila.
Talvez você lembre de Camila. Talvez não. Sua marca registrada, além da cantoria dos cruzamentos, eram os dedos indicador e médio eternamente na boca. Sua imagem desvalida não voltará a assombrar as janelas sob os sinais. Camila morreu. Mas o versinhos de Camila cruzaram o ar e semearam as esquinas. Não se iluda. Você não vai escapar. Há um exército de Camilas pela cidade. Haverá sempre uma delas tentando arrombar o vidro do carro com a urgência de sua fome. Camila morreu. Você, e eu também, somos cúmplices de sua morte. Nós todos a assassinamos. A questão é saber quantas Camilas precisarão morrer antes de baixarmos o vidro de nossa inconsciência. Você sabe? E agora, tio lindo, tia linda, o que vamos fazer?
*Texto de 23 de janeiro de 1999, compilado no livro "A Vida Que Ninguém Vê", de Eliane Brum.


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Continuando a falar sobre Muros...

Texto da jornalista Eliane Brum, originalmente publicado no jornal Zero Hora de Porto Alegre e compilado no belo livro "A Vida Que Ninguém Vê".
O Cativeiro
O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um domingo de sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado e escapou. Ele tinha o largo horizonte do mundo à sua espera. Tinha as árvores do bosque ao alcance de seus dedos. Tinha o vento sussurrando promessas em seus ouvidos. Alemão tinha tudo isso. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, virou as costas. Em vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o restaurante lotado de visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão. Os humanos fugiram apavorados.
Por que fugiram?
O macaco havia virado um homem.
O perturbador desta história real não é a semelhança entre o homem e o macaco. Tudo isso é tão velho quanto Darwin. O aterrador é que, como homem, o macaco virou as costas para a liberdade. E foi ao bar beber uma.
Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro, certificar-se de sua liberdade. E da superioridade de sua espécie. Pode então voltar para o apartamento financiado em 15 anos satisfeito com a vida. Abrir as grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à TV. Acorda na segunda-feira feliz para o batente. Feliz por ser homem. E por ser livre.
Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais fácil. E a única com satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para dentro do espelho. Sem glamour e também sem volta.
Acompanhe, se quiser.
O babuíno sagrado tem um nome comum. Beto. À espreita, lá onde os olhos se misturam com a mente, há o mais perigoso tipo de fúria. A da importância. Beto dá voltas e mais voltas na jaula, esmurra as grades. Atira comida e fezes nos visitantes. Espanca a companheira se ela não faz tudo o que ele quer. Não admite que emita um som sem a sua permissão. Não deixa que arrede pé sem a sua complacência. Se o faz, Beto cobre-a de tapas. Se a tiram de perto dele, Beto piora. Começa a arrancar pedaços do próprio corpo. Durante as crises, Beto toma dez miligramas de Valium por dia.
Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos. Mas nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que nunca se tornará. Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer reconhecem as estrelas. Quando o sol escorrega sobre a região metropolitana, são trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores que comem carne de cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme enrodilhado, exilado não do que foi, mas do que poderia ter sido. E que jamais será.
Anos atrás, um de seus bisavôs galgou a escada do tratador e espiou para além dos muros. Foi o mais longe que um deles chegou. São poderosos, os tigres-de-bengala. Mas quando chega a hora de serem confinados na caverna escura de sua escravidão, viram as costas para a Lua que aponta como promessa e marcham para a jaula. Alquebrados, submissos, como o mais vil animal da floresta.
A ursa-de-óculos é chamada de Peposa. Como se brinquedo fosse. O filho se chama Rayban, também muito engraçadinho. Quando nasceu Rayban, ela fez o que as mães costumam fazer: ensinou a ele a arte da resignação. Pegou-o pela orelha e carregou-o até as entranhas da furna na hora marcada. Hoje, Rayban vai por sua conta. Mas, todos os dias, Rayban desafia a mãe, se esgueira e testa o cadeado. Sem jamais ter aspirado o perfume gelado da cordilheira de seus ancestrais, Rayban não adivinha o que há do outro lado. Mas intui. E por ser criança ainda não desistiu de buscar.
Pinky vive só. Os outros elefantes, Nely e Mohan, caíram no fosso e sucumbiram. O fosso é a prisão dos elefantes. Mohan viveu seis anos acorrentado porque o cativeiro de sua espécie ainda não estava pronto. Quando o soltaram, durou três meses. Morreu tentando alcançar a liberdade. Ou apenas um dos cães que perambulam por lá e são achados aos pedaços. Dos três, Nely sempre foi a mais indomável. Dezenove anos atrás, matou um visitante. Um mineiro de Criciúma que comemorava a aposentadoria. Recém-liberto da solidão trevosa das minas de carvão, ele montou sobre Nely. Ela o derrubou sobre o chão e esmagou sua cabeça. Tão parecidos em sua tragédia, a elefanta e o homem.
Foram três as vezes em que Nely mergulhou no fosso. Numa delas, perdeu parte da barriga e uma mama na queda. Não desistiu. Morreu na terceira, tentando. Como nunca esquece, a elefanta Pinky assimilou o exemplo. E convenceu-se de que implacável é a punição para quem ousa dar um passo além do permitido.
A revelação dessa visita subversiva ao zoológico é que, no cativeiro, os animais se humanizam. O cárcere lhes arranca a vida, o desejo e a busca. E mais e mais vão se parecendo com os homens que os procuram na certeza de um álibi. Perigosa é a pergunta.
O que aconteceria se você encontrasse a chave do cadeado invisível de sua vida? O que aconteceria se você saltasse sobre o fosso de sua rotina? O que aconteceria se você desse o passo da elefanta?
Bem, talvez seja melhor caminhar até o balcão e beber uma.
*Texto de 11 de setembro de 1999, compilado no livro "A Vida Que Ninguém Vê", de Eliane Brum.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ainda sobre "Muros"

Como tá todo mundo sumido há muito tempo, por favor, deixem de preguiça e leiam o texto abaixo, não custa nada tirar os fones dos ouvidos um pouco e fechar o MSN por instantes. A leitura será recompensadora, se é que buscam uma recompensa. Ainda virão outros textos sobre o tema " muro", aguardem.
O texto abaixo é do sr Gregório Bacic, parceiro do Abujamra no Provocações, que nossa Rede Minas, infelizmente, não mais trasmite. Eis pois, o conto:
PEQUENAS DISTRAÇÕES

A antiga mureta subiu com a rapidez com que sobem os tijolos de uma sepultura. As setas dos portões cresceram apontadas para o céu e só não se perderam no espaço porque a laje do primeiro andar do sobrado as conteve com determinação. Uma guarita se instalou na calçada entre as árvores moribundas e a entrada dos automóveis, vigiando o cimentado que, antes da reforma, era um jardim ingênuo de copos-de-leite e rosas vermelhas. As janelas de cima dão, contra a vontade, para a rua, envergando grades de puro aço, com vãos que mal permitiriam a passagem de um gato esguio. Ao fundo da casa, batendo com a parede de trás de um templo evangélico, um muro subiu desmedidamente protetor e curvou-se sobre a área de serviço, expandindo-se em seguida para o corredor lateral e eliminando em definitivo a conversa com os vizinhos. Para defender a privacidade do que se falava e proteger a casa dos cânticos de fé entoados pelo populacho, gastou-se no revestimento acústico o que era uma verdadeira fortuna para os padrões daquele bairro novo rico da antiga periferia. As armações do telhado foram reforçadas in extremis, de modo a evitar perigos que a ousadia dos salteadores poderia trazer do alto. A casa antigamente singela só não se transformou num bunker total de segurança máxima porque permanecia vulnerável à queda dos aviões e – do jeito que as coisas iam – aos bombardeios aéreos de que, mais cedo ou mais tarde, o crime lançará mão.
O patrimônio da família – o medo – estava provisoriamente a salvo; medo dos ladrões, dos seqüestradores, dos estupradores, medo dos ventos, das enchentes, dos miseráveis, dos poderosos, dos fiscais, medo do terror, dos traficantes, dos negros, dos nordestinos, medo dos maloqueiros da favela, dos vendedores, dos cobradores, dos pregadores fanáticos, dos moto-boys que fumam maconha, dos ônibus lotados que despencam pela rua, medo da liberdade, medo da morte, medo da vida, medo do outro.
Apesar de já inexpugnável, a fortaleza carecia de ainda mais. Sim, porque a segurança somente seria segura se pudesse contar com mecanismos de metassegurança, ou seja, camadas sistêmicas que se sobrepusessem ao sistema, vigiando seus próprios agentes protetores. Era preciso ter certeza da qualidade dos serviços contratados; era preciso assegurar-se da confiabilidade dos guariteiros. Assim, a família instituiu o uso doméstico do crachá. Todos os nove residentes – pai, mãe, avó, tio-avô, filho, duas filhas, nora e genro – deveriam portá-lo no peito, cabendo ao guariteiro liberar a entrada somente aos que cumprissem a norma; nos casos de esquecimento ou perda do crachá, o morador retornante ficaria retido entre dois portões eletrônicos internos, acionados por controle remoto, à espera do reconhecimento e da conseqüente liberação de sua entrada por outro membro da família. A área de espera intraportões poupava ao infrator da norma aguardar do lado de fora, na rua, onde não poderia ter garantida sua segurança pessoal. Constatada a perda de um crachá, um sistema de emergência forneceria senhas provisórias a cada membro da família, onde estivesse, até que se renovassem todos os crachás, impedindo o uso indevido por terceiros do exemplar perdido (roubado?!). De início, as mulheres da casa questionaram a real eficácia do método e protestaram contra o anúncio de que haveria também crachás para visitantes, o que condenaria ao fim o gosto da filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, em receber amigas da escola. Mas, tiveram de curvar-se à evidência: só assim se poderia verificar se eram mesmo cumpridores e responsáveis os guariteiros. Sem crachá, ninguém entra; nem o dono, por mais inconfundível que seja aos olhos dos seus servidores. Decidiu-se ainda pela obrigatoriedade de os guariteiros preencherem relatórios diários, enumerando horários de saídas e entradas e, numa coluna de ocorrências extraordinárias, a passagem de terceiros, como carteiros, entregadores de jornais, mendigos e outras pessoas vistas com suspeita. Esses relatórios subiam à noite para o escritório, onde a nora elaborava planilhas de movimentação diária e as guardava num cofre-forte, mas poderiam ser requisitadas pela avó a qualquer momento para verificações emergenciais e confrontações com relatos pessoais de cada membro da família sobre estranhamentos no trânsito; afinal, uma mera fechada por automóvel ou moto poderia não ser mera. Quem sabe se não estaria ali se esboçando o crime hediondo de um seqüestro? O crescimento vertiginoso desse tipo de evento nas estatísticas determinava a preferência da família por carros populares, os únicos capazes de não chamar a atenção dos criminosos à espreita. Mas, como bastasse um único descuido para pôr tudo a perder, resolveu-se elidir os riscos, providenciando-se a blindagem da frota familiar de Uno Mille.
Num mês seguinte, decidiu-se instalar uma câmara de vídeo voltada para o interregno de portões, com o fito de assegurar o reconhecimento dos chegantes diretamente da sala de visitas, sem que o responsável por isso tivesse que se expor. Da sensação renovada de maior segurança, comodidade e encantamento tecnológico, evoluiu-se para um sistema completo de captação de imagens e de sons, ocultando-se microcâmaras e microfones nos pontos do lar considerados estratégicos. As motivações para esse passo adiante foram o aprimoramento, sempre possível, do controle interno e a conveniência de se ter gravada a imagem do delinqüente que ludibriasse o sistema e invadisse a casa. Também feminina foi a primeira resistência a esse avanço, quando a filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, esqueceu-se da vigilância eletrônica e, masturbando-se, foi surpreendida pela câmara instalada na despensa. Por não saber como abordar o assunto, o pai fingiu não ter visto nada e transferiu o fardo para a mãe. As mulheres foram informadas de que sua intimidade estava suspensa, não lhes sendo aconselhável banhar-se ou trocar de roupa sem antes reservarem horários apropriados, de curta duração, em que as gravações nos banheiros seriam interrompidas para revisão técnica. A mãe contornou o mal-estar argumentando que, se aquele era um preço alto a ser pago, seria ainda muito baixo caso as câmaras viessem um dia a registrar cenas de estupro por um invasor. Quanto à filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, foi severamente admoestada pela indecência com que gerou a situação, mas ganhou da cunhada, para consolação, um filhote de chiuahua, a que deu o nome de Speedy Gonzãlez e tanto se apegou, que passaram, ela e o animal, a ser tratados em casa como o casal González.
O sistema de segurança era agora comprovadamente perfeito. Mas o medo é esperto, cheio de manhas, capaz de contorções absurdas para se adaptar a emoções em cacos e não abandonar o barco. O pior poderia estar por segundos. E se algo falhasse? Foi necessário reforçar a defesa com pitbulls amestrados: Goebbels e Goering corriam lestos e sagazes num cercado do quintal, como penúltima instância. Sim, porque havia ainda uma última instância: metralhadoras de cano curto Kalashnikov, adquiridas a um contrabandista para armar a família contra as terríveis conseqüências de um porre, de um surto de loucura ou, mesmo, da traição do segurança nordestino de plantão. Ao encomendar-se uma pizza, por exemplo, como ter a certeza de que o entregador, mancomunado com o cafuzo da guarita, não invadiria a casa, envenenando os cães e fazendo refém toda a família? A falta no Brasil de guariteiros ágeis como galgos e perspicazes como perdigueiros, mas leais como são-bernardos, germanicamente preparados, foi responsabilizada por mais esse gasto no mercado clandestino, ilegal, ocupado exatamente por aquele tipo de gente de quem cumpria defender-se. A lógica imperava mais uma vez: para enfrentar o pior inimigo, só mesmo com a mais poderosa arma do pior inimigo.
O recebimento da pizza, duas vezes por semana, mereceu o nome de Operação Margherita I, tendo se repetido depois como II, III, IV, XVII, LXI... e assim por diante. Consistia na distribuição dos homens da família em pontos recônditos da casa, à espreita, com suas Kalashnikov em punho, prontas para disparar, escondendo-se o pai atrás da janela do sótão, com uma granada na mão, de onde poderia observar o entorno, a rua, e contra-atacar, se necessário. Enquanto o mulherio se postava em alerta na sala de jantar, empunhando talheres pontiagudos, especialmente afiados para a ocasião, com que decepariam aos vilões acuados os dedos, a mão ou o que mais fosse preciso, o tio avô recebia a entrega pelo vão da jaula de portões, não sem antes obrigar o entregador a provar um naco de pizza, para certificar-se de que não trazia soporíferos, barbitúricos ou drogas de qualquer espécie que pudessem arrefecer as trincheiras da família. A filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, odiava a Operação. Ao cortar a pizza no prato, tremia de imaginar que naquele momento poderia estar empunhando os mesmos talheres na punição que o pai planejara para os invasores. Ao passar bocadinhos carinhosos do recheio para Speedy González, no colo, afligia-se de pensar que estivesse servindo ao animal picadinhos de dedos ou de alguma outra parte do corpo a que preferiria, ela, dar destinação mais gloriosa e integral.
Alguma vez, à mesa, ao cabo de mais uma Operação Margherita, a filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, deve ter perguntado à família por que atravessar a vida arrastando esse fardo cruel, que nada contém senão o medo do que poderia um dia, talvez, quem sabe, porventura, vir a acontecer? Por que não baixar a guarda e cuidar, sem temor, para que a vida pudesse correr solta? Lá fora? A filha mais nova, de 15 anos, se chegou a fazer essas perguntas em casa, foi vista, é claro, como perigosamente distraída. Ingênua! Como seria possível fecharem-se os olhos para a realidade? E a realidade é que, hoje, não se respeitam mais os valores que fizeram o mundo caminhar até aqui. As cidades do Brasil estão nas mãos da bandidagem. E sabe onde se escondem os bandidos? Nem mais se escondem. Hoje, são as pessoas direitas que se escondem. É preciso desconfiar de tudo e de todos, porque o tiro certeiro ou a bala perdida vêm. Não se sabe mais de onde, mas vêm! Chamar a polícia? Nem pensar. O poder público perdeu completamente a capacidade de garantir a segurança dos cidadãos. Está certo que há delegados bem formados e, em princípio, razoavelmente confiáveis. Mas andam em má companhia: não há, por certo, um único policial civil ou militar que sobrepuje a horda social de que se origina, a mesma em que nasceram e se reproduzem como moscas os ladrões, a bandidagem, a malandragem, os estupradores e os salafrários de toda espécie, sempre a postos para atacar, qual uma corja de raposas circundando um galinheiro. E em se tratando – policiais e foras-da-lei – de bestas da mesma estirpe, farinha do mesmo saco, não há como desprezar a idéia de que tramam juntos. Chamar a polícia seria o mesmo que abrir as portas de casa a essa gente, expor as fragilidades do nosso reduto a pessoas suspeitas, que depois, certamente, darão o serviço a sabe-se lá quem!
Os que vivem de esperar a tragédia são os que melhor sabem atraí-la. Por distração da filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, Speedy González, o filhote de chiuahua, escapou para o quintal e invadiu o cercado dos pitbulls, sendo estraçalhado por Goering. Vinha atrás a filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, que não chegou a tempo. Em estado de choque, seus olhos puderam apenas acompanhar os minutos finais do minúsculo Speedy González devorado pelo mastodonte, que lutava por não dividir o petisco com o enfurecido Goebbels.
A família acachapou-se de tal forma com o estado da filha, que decretou por três dias o toque de recolher, durante o qual se deveriam extrair lições da tragédia doméstica estampada nos olhos esbugalhados e no silêncio estarrecido da bela menina recolhida à cama. Haveriam de compartilhar o didatismo do espetáculo terrível: um mero acidente doméstico causava um abalo sísmico. Como seria então se o pior acontecesse? O que seria deles se a tragédia viesse de fora, pelas mãos criminosas de estranhos? Já no segundo dia, porém, a consternação familiar se esvaziou, dando espaço a algo irrefreável que tomava corpo: um discreto sentimento de orgulho para com a atuação de Goering, em sua primeira situação de risco enfrentada naquela casa: diante do cãozinho invasor, não negou fogo, mostrou a que veio.
No terceiro alvorecer, a filha mais nova, de 15 anos, vista em casa como perigosamente distraída, trajando um baby-doll cor-de-rosa transparente sobre o corpo nu e calçando pantufas, desceu plácida para o quintal, rumo ao cercado dos cães. Esganiçando, Goebbels e Goering lançaram-se em sobressalto contra a grade. Uma Kalashnikov ergueu-se serena e calculadamente nas mãos da menina e metralhou os cães. Com a mão esquerda brandindo a arma para o alto, o braço direito e os quadris da menina iniciaram um meneio lento e sensual, evoluindo para a fúria lasciva de uma dança inebriante e orgástica em torno dos cães mortos. Os olhos azuis extasiados descobriram a câmara posta no alto. Num golpe arrebatado, a filha mais nova rasgou a seda cor-de-rosa frontal que a cobria e, orgulhosa e provocadora, ofereceu os peitos ensoberbados para o equipamento, após o que, o metralhou. Até aquele momento, toda a cena poderia ter sido assistida pelo circuito interno de TV. Mas por quem, se já não havia sobreviventes?
*Gregório Bacic, “Pequenas distrações” conto presente no livro "Peão envenenado e outras provocações".

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Muros

Caramba, todo mundo sumiu...
Caros dicotômicos, vocês sabiam da queda do muro de Berlim? Bem, caiu. Há 20 anos, alguém tava sabendo? Que coisa, não? Lembro do dia, lá nos idos de 1989, estava com minha mãe, que passava roupas, e ela disse, enquanto olhávamos a tv preto e branca, que aquele era um dia histórico, que depois de muito tempo as pessoas ainda iam falar daquilo. Eu não entendi bem por que, mas lembro da emoção de ver uns malucos subindo no muro, bastante eufóricos, e descendo porretadas nele, arrancavam pedaços e se abraçavam. Choravam.
A partir da comemoração dessa data, comecei a pensar sobre muros, por que existem? Por que ainda se constroem muros, se a globalização é tão boa? Por que há um muro vergonhoso na fronteira do México com os EUA? Por que ninguém impede o criminoso muro construído pelo governo de Israel na Cisjordânia, que isola e rouba terras do povo palestino? Por que construímos muros cada vez mais altos, com cacos de vidro e cerca elétrica?
Por que? Hein? Alguém sabe me responder, por favor?
Bem, lembrei de um bocado de textos sobre muros, vou tentar colocar alguns aqui, mesmo tendo o novembro que lembrou os 20 anos da queda do muro da vergonha de Berlim ter acabado.

Ao invés de colocar foto de algum desses muros citados aqui, coloco de algumas das obras do artista (um, ou seria um coletivo?) Banksy feitas em muros. Corram atrás desse camarada, um dos principais artistas da atualidade.



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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu viajo pra Paris* um tempo e quando volto o que encontro é só papo maluco, com esse subversivo desse Raulzito por aqui. Essas fotos de cabeças abertas ruminando flores... Blogs de cubanas insatisfeitas... Aliás, esse papo parece que espantou até o Vendell, que aliás é bem doido também... e o que estão falando do íntegro e grande coronel, digo, político honesto, do Zé Sarnento? Hein?! Sou noivo da prima da tia do namorado da neta dele e ele me prometeu uma vaguinha num escritório federal no seu próximo reinado, digo, mandato.
Juízo, hein, cambada, vou precisar fazer mais umas viagens, mas volto logo e não quero tanto baderna maluca por aqui, afinal isso é um blog de respeito, dicotômico, tá certo, mas de respeito.
Notícia triste: um dos espaços culturais mais interessantes de BH, o Instituto Moreira Salles, encerrará atividades no fim de agosto... funcionários serão despedidos e não há previsão do que pode vir a funcionar no local... quem puder fazer uma última visita, aproveite...
*Pariscida do Norte é uma rota frequente minha, quem quiser ir na excursão dicotômica um dia, é só me mandar uma mensagem no celular, que mando os dados para depositarem o dinheiro na minha conta, que depois os busco em casa e nós vamos rezar.

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Procura-se o Wendell. Vide retrato falado:

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sexta-feira, 17 de julho de 2009

E aí?!


  • E a poesia expectorante, amigos? Vamos retomar este tema?
  • Poderíamos listar alguns livros, autores, textos que dialogam com a proposta (o CEP 20.000 do post do Nosliw, por exemplo, é poesia expectorante até o caroço). É quase alencar nosso paideuma, animam?
  • E tem aparecido mais textos próprios também, o que é muito bom. Vamos mostrar mesmo, estamos entre amigos pra que o ambiente seja confortável para nos expormos, sem medo de críticas (na verdade os comentários sempre se propõem ao diálogo -mesmo que dicotômico-, ou não?).
  • Quem quiser mais do Vendell, sabem: Incrementum na veia, não na véia, na veia. E podem pedir mais dele aqui também, mandem cartas, sinais de fumaça ou mesmo comentários e e-mails.
  • Quem quiser mais da Tarcila é só pedir pra ela aqui mesmo, uai. Ou então façam uma isca com paçoca ou chocolate que ela aparece também.
  • Quem quiser mais do Vilson também podem pedir aqui, mas cuidado que o cidadão tá em estado de greve e qualquer discordância agora ele mobiliza o povo e sai de greve mesmo, então nem vou zoá-lo dessa vez, com seu coração de motor de geladeira, ou por ele ainda achar que é Joel Barish, ou que o Joel é ele, ou, ah, vocês entenderam.
  • Quem quiser mais do Sr. Dicotômico é só me ligar e marcamos um programinha. Até algum dia!
  • Quem não quiser mais, pode mandar pedidos de que me cale também, ou nem isso.
  • E logo adicionarei marcadores em todas as postagens para colocar um pouco mais de ordem por aqui, beleza? Até outro dia seus dicotômicos!

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sábado, 16 de maio de 2009

Prenda!!! Miss Cuiabá??? Sugestões...

Por onde andará Tarcila Clown Doll?
Já que, infelizmente, sumiu por mais de 30 dias, finalmente, chegou a hora de estrearmos a tão aguardada PRENDA!
Desde já, sei que perdemos uma grande oportunidade, pois imagina se houvéssemos enviado a srta Clown Doll como repórter fotográfica no último dia das mães, em que nossas respectivas progenitoras, antes mesmo do 1° Encontro Dicotômico, se reuniram para comemorar essa bonita data para o comércio (opa, olha a influência dessas últimas postagens dos Srs Vendell e Vilson... tsc, tsc) em pleno (e clássico) Forró do Mangabinha... perdemos essa oportunidade.
Agora cabe decidir qual será a prenda de nossa companheira. Sugestões são muito bem vindas.
Fora essa aí, do Forró do Mangabinha, que acabamos deixando passar, pensei em fazermos a inscrição da nossa amiguinha (sem ela saber é claro) no Miss Cuiabá 2009 (será que ainda dá tempo? ou então no Miss Cuiabá 2010...), seria legal ver uma Miss com o cabelo colorido e que preferisse o Chacal ao Pequeno Príncipe, ou que preferisse um palhaço a um artista global, ou ainda (e eis a diferença fundamental) que preferisse paçocas a qualquer outro quitute preferido por misses. Poderíamos inscrevê-la e ir cobrindo tudo por aqui. Porém, embora, contudo, todavia, ela poderia acabar gostando da idéia e pelos afazeres da competição poderia sumir mais ainda daqui, sem falar na influência negativa que (nada contra vocês misses magrelinhas do meu coração) o ímpeto competitivo pelo pódio estético poderia lhe causar. É... precisamos de sugestões...
Repito: aguardamos sugestões de prendas para nossa companheira Clown Doll!
E claro, respeitando o princípio universal do contraditório e da ampla defesa, abrimos um prazo de 15 dias para que a referida companheira apresente sua contra-argumentação, que será avaliada pelo Comitê de Recursos Dicotômicos e também pelo júri popular de blogueiros interessados em participar.

E Wendell, e Wilson, façam o favor de não pedir demissão, hein, apesar de que, deixe-me repetir: Wendell e Wilson, já pensaram em fazer uma dupla sertaneja? Ou talvez uma dupla emo-neja, tipo Fresno+Chitãozinho e Xororó, hein?! Posso ser o empresário e... é, bem, a prenda não é para vocês, por enquanto..., pensamos melhor nisso depois, vamos à Prenda da Clown Doll primeiro, né!

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Prendas...

Quando não é um, é outro que some daqui. Eita, povo mole pra postar, o quê que estão fazendo da vida? Estudando? Trabalhando? Isso vai levá-los a algum lugar? Vamos escrever aqui, cambada!
É o seguinte, quem passar mais de um mês sem postar aqui vai ter que pagar uma prenda, hein (pagar prenda é do tempo do Vendell, mas vai voltar a funcionar aqui)! A prenda vai ser determinada por um leitor ou pelos demais participantes? Uhm, ainda não sei, talvez eu assuma minhas tendências ditatoriais e resolva condenar e aplicar a pena/prenda ao pândego ou pândega sumido(a). Até porque não creio que tenhamos leitor(es)...
Enquanto isso vou lendo a crônica de sexta passada da escritora Ana Elisa Ribeiro, lá no Digestivo Cultural; quem não conhece o site ou a escritora, ficam as dicas.
E abram o olho, hein!

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Bem Vinda Clown Doll! Parte 2...

Antes que o comparsa Vendell queira me processar, deixe-me queimar também o filme do tal Nosliw, ai ai. Fuçando em seus arquivos encontrei uma obra de arte datada do ano de 2003...
Cara Clown Doll, aceite também como boas vindas esta bela obra... ahm? Não, não estou rindo... pff...



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Bem Vinda Clown Doll!

Após uma hibernação relativamente tranquila volto à ativa por aqui.
Eis que agora temos uma nova colaboradora dicotômica.
Pois seja bem vida senhorita Clown Doll! Use e abuse deste nosso recinto e não tema tomar a dianteira já que nossos outros colaboradores (cá entre nós) são meio lentinhos...
O Wilson, ou Nosliw, ai ai, creio que já conhece.
O Vendell é uma boa pessoa, mas se puder evitar, melhor... Trata-se de um clone do Wolverine Valadão com jeito do Massaranduba e cara do Ursinho Puff, mas claro que isso também fica entre nós, ele não iria gostar que queimasse o filme dele assim, ainda mais que tá sumido daqui...
Bem, seja bem vinda, publique à vontade e qualquer coisa, estamos à disposição.

Eis um Manoel de Barros pra você:

Um dia me chamaram primitivo:
Eu tive um êxtase.
Igual a quando chamaram Fellini de palhaço:
E Fellini teve um êxtase.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Augusto de Campos - tudo está dito (1974)

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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Poeminha do mestre Fausto Wolff

Eis um poeminha do mestre Fausto Wolff, do livro "O Pacto de Wolffenbüttel e a Recriação do Homem".

PLANALTO

Se todos disséssemos "não"
E agüentássemos as conseqüências,
Os ratos teriam de se devorar entre eles.
Teriam de roubar uns dos outros,
Sodomizar os próprios filhos,
Prostituir suas esposas e crianças.
Talvez, depois disso, pudéssemos
Todos cantar novamente,
Orgulhosos, o Hino Nacional.


É... saudade grande do grande Fausto...

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

roNca roNca

Salve, salve, parcos visitantes!
Convite pra vocês amigos da Fannie Mae e do Freddie Mac, deixem a crise de lado e ouçam conosco o programa RONCA RONCA, que é da pesadíssima!!! Conheci o programa nesta terça-feira e ouvi Macaco Bong (e quem não os viu ao vivo tá incompleto pro futuro...), Hurtmold, mais um bocado de som da pesada, além de Marcelo Camelo e "Os Imprevisíveis" fazendo um som ao vivo lá. Sou fã do programa!
Então é o seguinte: toda terça-feira, às 22:00, na Oi FM!

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sábado, 25 de outubro de 2008

Dicotômico Fontoura

Ainda não sabemos o que será deste blog... À medida que formos postando veremos no que vai dar. Uma das poucas idéias iniciais é de aos poucos convidarmos mais pessoas para participar conosco.
Os temas estão abertos para tudo e qualquer coisa, apesar de que os envolvidos, neste começo, tenham sérias propenções para a literatura. Deixem-me tomar a posição do narrador e lhes revelar logo algo sobre eles:
Quando crianças tinham por hábito, forçado, segundo relatos, tomar Emulsão Escott e Biotônico Fontoura e eram também "obrigados" a ler os livros escolares, que os professores com ojeriza passavam adiante. Bem, não engordaram de ruins e não liam nem metade daqueles livros por boba revolta de não se submeterem às obrigações escolares. De algum modo essas dicotomias os fizeram sobreviver tanto às lombrigas, quanto aos academicismos. Hoje tentam tirar o atraso na leitura e como buscam melhorar e evoluir, já engordam de bons e tentam levar a poesia e a literatura em geral adiante com os autores e autoras que admiram e com seus próprios textos. Acreditam na poesia expectorante.
Eu? Eu sou o Sr. Dicotômico Fontoura, sócio sem fins lucrativos dessa corja e ownbudsman relapso deste blog (também acredito na poesia expectorante, mas deixa isso pra logo mais).
Um abraço a todos.

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