quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Quinta-feira passada, dia 13/11, estive no Chevrolet Hall durante o 9° Encontro de Literaturas (gostava mais da confusão dos corredores cheios da Serraria Souza Pinto, sem falar da variedade de estandes, inclusive de sebos -deixar a Livraria Amadeu de fora não pode!-, que ficaram faltando no evento deste ano), então, estive lá, durante o Proseado, destaque para a escritora, professora, jornalista, mestra em psicologia social, Rosália Diogo, que lançou o livro "Rasuras No Espelho de Narciso - educadoras negras e a crítica às representações do negro na mídia". Quando já me preparava pra ir embora, num estande, pelo qual havia passado direto antes, havia uns camaradas levando um som, reconheci o Ricardo Aleixo e o Bruno Brum, parei lá e fiquei folheando uns livros deles e curtindo o som e as poesias que iam mandando. Fui chegando e acabei conhecendo também o Chico de Paula e o Waldemar Euzébio, figuraças! Tava muito bom... Para quem não os conhece a seguir há um texto de cada, fico devendo um do Waldemar..., e corram atrás dos livros deles, que são muito bons!

Do livro "cada" de Bruno Brum:

Fora

Escarafunchando
ninhos de
garranchos
como se
grunhisse arpejos
&
arranjos
de repente se
acham cachos
donde
desabrocham
carinhos
&
carunchos.

Do livro "Máquina Zero" de Ricardo Aleixo:

Paupéria revisitada

Putas, como os deuses,
vendem quando dão.
Poetas, não.
Policiais e pistoleiros
vendem segurança
(isto é, vingança ou proteção).
Poetas se gabam do limbo, do veto
do censor, do exílio, da vaia
e do dinheiro não.
Poesia é pão (para
o espírito, se diz), mas atenção:
o padeiro da esquina balofa
vive do que faz; o mais
fino poeta, não.
Poetas dão de graça
o ar de sua graça
(e ainda troçam
- na companhia das traças -
de tal "nobre condição").
Pastores e padres vendem
lotes no céu
à prestação.
Políticos compram &
(se) vendem
na primeira ocasião.
Poetas (posto que vivem
de brisa) fazem do No, thanks
seu refrão.

Do livro "44", de Chico de Paula:

ATESTADOS DE ÓBITO

1.
Médica legista. Os cabelos repicados, castanhos, a orelha semidescoberta. Curtos. Ou quase curtos. A boca quase trêmula, quase insinuante. Os olhos fixos no corpo. As mãos esperando o momento de tocar e analisar todas as causas. Movimentos hesitantes. Quando ela me descobriu, eu ainda estava vivo.
2.
Acupunturista. Mãos firmes. Aponta sempre para onde? Cutuca feridas, espreme pontos nevrálgicos, planta intriga, semeia raiva. A calma e a paciência orientais nunca foram o seu forte, já que aprendeu o ofício no ocidente - onde nasceu, como forma de ganha-pão, que nunca amassou. Nem o diabo, que sempre teve coisa melhor pra fazer.
3.
Piloto de ambulância. Ficou surdo levando pacientemente enfermos sem nenhuma paciência. Parou de escutar. A tecnologia de emissão melódica de gemidos extremamente altos e cortantes passou a ser apenas uma paisagem rotatória, intermitente, sem muita dor. Isso pra ele foi a morte.
4.
Deus. Já não existia quando foi inventado.

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1 Comentários:

Blogger Wendell Augusto disse...

Mais uma vez eu dormi, dormi, dormi, e quando acordei o Encontro das Literaturas já tinha acabado... eu durmo demais... até para enviar este comentário tá osso, estou dormindo... espero que vá!

1 de dezembro de 2008 às 23:39  

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